sábado, 5 de março de 2016

“O dono da caixa de fósforos”

“O dono da caixa de fósforos”





Ontem, dia 4 de março de 2016, foi o dia do “O Dono da Caixa de Fósforos”. Fui dormir tarde, após uma minuciosa leitura sobre os inúmeros comentários de amigos, políticos e juristas acerca do grande destaque na Mídia Nacional e Internacional, por conta da condução coercitiva do ex-presidente Lula para prestar depoimento na Polícia Federal. Preliminarmente, para esclarecimento geral da nação, informo que nunca consegui eleger (com meu voto) um Presidente da República.

Voltando para o dia de ontem, não havia como não lembrar o ano de 1968, quando o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi preso pelos militares (politicamente) após sua saída de uma formatura onde foi paraninfo, ficando detido vários dias. Ontem, às seis da manhã o “japonês da PF” (rs) bateu na porta de Lula para, por ordem de Sérgio Moro, de forma coercitiva, levá-lo para depor na Polícia Federal, contrariando frontalmente o Código de Processo Penal.

Fui dormir preocupado. Além de exercer como contabilista a profissão de auditor independente há quase 40 anos, também tenho formação jurídica, sou advogado filiado à OAB/SC há 33 anos. Com certeza, é natural e democrático, que os desafetos do ex-presidente e do Partido dos Trabalhadores festejassem sua “detenção” com todo aquele aparato policial cinematográfico, merecedor de mais de uma hora de Jornal Nacional. É natural, também, a reação dos simpatizantes e do mundo jurídico.

Como já disse, fui dormir preocupado, mas ao mesmo tempo feliz por não pensar sozinho sobre a “escorregada” do juiz Sérgio Moro. O Ministro do STF, Marco Aurélio Mello, não indicado por Lula e Dilma, bateu duro... "Condução coercitiva? O que é isso? Eu não compreendi. Só se conduz coercitivamente, ou, como se dizia antigamente, debaixo de vara, o cidadão que resiste e não comparece para depor. E o Lula não foi intimado". E foi além, "Precisamos colocar os pingos nos 'is'", E continuou criticando o argumento de Moro, de que a medida foi tomada para assegurar a segurança de Lula... "Nós, magistrados, não somos legisladores, não somos justiceiros", e ensinou: "Não se avança atropelando regras básicas". O entendimento de Marco Aurélio também foi seguido por dois juristas do governo Fernando Henrique.

Isso me preocupa muito, pois o descumprimento das tais “regras básicas” por conta de um Juiz Federal, que dirige o maior processo contra a corrupção da história brasileira, poderá com “seu atropelamento”, colocar em dúvida sua isenção, vindo mais tarde a frustrar todo um sentimento de justiça e legal punição para os infratores, que todo o brasileiro ansiosamente respira e aguarda.

Na verdade, se já havia muita gasolina espalhada no triste e vergonhoso momento político brasileiro ... o Juiz Sérgio Moro apareceu como “O Dono da Caixa de Fósforos”.

Oremos.

Lourival Amorim

2 comentários:

  1. Parabéns. Excelente análise. É o que as pessoas de bom senso pensam.

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  2. Parabéns. Excelente análise. É o que as pessoas de bom senso pensam.

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Obrigado pelo seu comentário.
Lourival Amorim