sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Envelheci precocemente.

Envelheci precocemente.



Acabei de fazer uma descoberta terrível... Estou com “apenas” 63 anos e acho que envelheci precocemente. Fiquem tranquilos, pois não sou nenhum dermatologista nem editor de revistas de Beleza & Saúde. Estou falando da minha falta de paciência com a hipocrisia de algumas pessoas e dos falsos políticos, com a estupidez humana retratada nas suas guerras, com a falta de racionalidade e, principalmente com a ausência do pensamento crítico em muitas pessoas.

Einstein, talvez tenha sido excessivamente duro ao pronuncia-se que: "Só duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana, mas não estou seguro sobre o primeiro". Obviamente, que não poderemos debitar esta frase apenas aos “viventes” de nossos tempos atuais. Não conhecemos, na história da humanidade, que começa lá pelos 4.000 a.C, um único momento de paz ou de ausência de guerras.
Alguns já escreveram que foram as guerras que trouxeram o “desenvolvimento” para os homens. Tecnologicamente até poderemos concordar... mas, sob a óptica do espírito, entendo que estamos num processo de velocidade geométrica de retrocesso. Simone de Beauvoir, que viveu grande parte de sua vida ao lado do gênio Jean Paul Sartre disse que “Viver é envelhecer, nada mais”. A frase, por mais que pareça simplista responde com a lógica da vida.

Só que este envelhecimento poderá nos trazer algumas constatações que chamaremos de “experiência” como: “Ao envelhecer, parei de escutar o que as pessoas dizem. Agora só presto atenção ao que elas fazem” (ou escrevem), numa posição de mero expectador nessa longa estrada da vida. Mas tem o lado positivo retratado por grandes filósofos como Sófocles ao afirmar: “Ninguém ama tanto a vida como o homem que está a envelhecer”. Ou, mesmo na “profundidade” do humorista Millôr... “Qualquer idiota consegue ser jovem... É preciso muito talento pra envelhecer”.

Dias atrás fui ouvir uma palestra de um cara excepcional, chamado Augusto Curi que soltou essa e assino embaixo: “Se o tempo envelhecer o seu corpo mas não envelhecer sua emoção, você será sempre feliz”. Perfeito em número, grau e gênero. Tenho procurado a não envelhecer e acho que vou ser jovem até meu coração parar de bater. Talvez uma fórmula encontrada para não se esconder da realidade de quem ama trabalhar, viajar, tocar sax, fotografar, tomar cerveja e ser um “avô babão”. Até mesmo para não esquecer que poucas pessoas sabem envelhecer.

Estou, mais uma vez, acompanhando a fantástica viagem da família Schurmann (Expedição Oriente), e lembrei de uma frase que diz: “Envelhecer é como velejar, você não pode parar o vento, mas, pode direcionar a vela para que o vento lhe seja favorável”. Também não quero pecar como Antoine de Saint-Exupéry em seu “Pequeno Príncipe” quando fala: “Fiz mal em envelhecer. Foi uma pena. Eu era tão feliz quando criança...” Talvez pudesse, em outra circunstância ter pensado... “Serei sempre um menino, pois nunca conseguirei ver minha alma envelhecer...”

Finalizando, ainda sobre a estupidez humana, não devemos esquecer a Primeira Lei Fundamental da Estupidez Humana que sentencia... “Sempre e inevitavelmente cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos em circulação”, pois a ignorância é deveras atrevida. Sobre a velhice só tenho alguns medos... Tenho medo de envelhecer só. Acho que se você não tiver pessoas queridas para envelhecer ao seu lado não vale a pena ficar velho, pois o homem começa a envelhecer quando as lamentações começam a tomar o lugar dos sonhos. Portanto, “Nunca se afaste de seus sonhos, porque se eles se forem, você continuará vivendo, mas terá deixado de existir”. Quanto ao envelhecimento precoce, sugiro que tenha mais paciência, seja mais flexível... mas não perca seu senso crítico, nem deixe de sonhar. Fica mais fácil entender e viver a velhice.
Lourival Amorim (2016)

Somos todos Super-Homens.

Somos todos Super-Homens.
Pergunto: é realmente possível cuidar da educação dos filhos, dirigir neste trânsito enlouquecido, andar em transporte público, concluir a graduação, atender celular, aturar "aquele" chefe, conviver com colegas invejosos e preconceituosos, cuidar do peso com eternas dietas, malhar em academias, aceitar o envelhecimento, reuniões improdutivas, controlar cartão de crédito, controlar agenda, TPM da parceira, mau-humor do parceiro após derrota do time, responder aos zap-zaps, espiar o Facebook, responder todos os e-mails, pagar um caminhão de impostos (IPVA, IPTU, IR), procurar estacionamento com urgência, segurar a pressão da concorrência, assembleia do condomínio, hipertensão arterial, assistir e/ou ler aos jornais só com notícias que dão vontade de cortar os pulsos, preservar a ética, diariamente assistir políticos na TV “se explicando” pelas roubalheiras e resistir a tudo isso sem chegar a um alto e insuportável nível de stress?

Saímos de uma vida tranquila em grupos, vivendo e explorando inicialmente a caça e a pesca, mais tarde usamos a agricultura e a pecuária, com a domesticação de animais para aproveitar suas carnes, ovos, peles, etc., para escolhermos a conturbada vida urbana, para "morarmos" em conglomerados urbanos apinhados de gente, fazendo todos perderem a qualidade de vida, em especial a saúde.

Como resultado desta radical mudança, nossos hospitais psiquiátricos estão lotados de doentes mentais. Consultas com psiquiatras e psicólogos têm longas filas de espera para doentes com problemas que vão desde uma “simples” insônia, passando pelo transtorno de ansiedade e até mesmo a depressão profunda. As penitenciárias estão abarrotadas de “desajustados”. Os tribunais estão “entupidos” de conflitos de natureza criminal e patrimonial. A Organização Mundial da Saúde, OMS (2014), alerta que uma em cada 10 pessoas no mundo, (10% da população global), sofre de algum distúrbio de saúde mental. Isso representa aproximadamente 700 milhões de pessoas.

Finalizando, não existe nenhuma fórmula mágica para “navegar” incólume neste mar de eternos desafios e conflitos do nosso cotidiano. Existem sim algumas atitudes que podemos tomar para minimizar os efeitos perversos desse stress, buscando melhor qualidade de vida, tais como manter a mente ativa, controle da respiração, exercícios diários, praticar meditação, ouvir música, saborear um bom chocolate, consumir menos glúten, ser mais otimista, dormir bem, ter mais contato com a natureza, aceitar a vida e evitar a inveja, o ódio, a raiva e a mágoa que roubam nossas alegrias. É fácil fazer tudo isto?

Somos ou não somos todos Super-Homens?
Lourival Amorim (2016)